Política

Moro saiu, quanto tempo Paulo Guedes fica?

A situação já vinha se arrastando desde o ano passado

Por TVTE
24/04/2020 18:48:45
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Foto: Divulgação

Sérgio Moro deixou o ministério da Justiça, após um longo período de desgaste junto ao presidente da república.

A situação já vinha se arrastando desde o ano passado inicialmente se especulava se Bolsonaro tinha a intenção deliberada de "fritar" o próprio ministro devido a sua grande popularidade, externando certa preocupação de que ele poderia ser um adversário nas eleições de 2022.

O ex-ministro tratou de apaziguar a situação chegando a declarar que era aliado de Bolsonaro, e se perguntava se teria que tatuar isso na testa.

Porém o Presidente da República insistia em exigir de Moro a exoneração do cargo de diretor geral da Polícia Federal, o delegado Maurício Valeixo.

 Os dissabores em relação à Valeixo são evidentes, desde que ele se posicionou favorável a teoria de que Adélio Bispo, autor da tentativa de homicídio a Bolsonaro, era na verdade, um lobo solitário e agiu devido a sua insanidade mental.

Assim como Paulo Guedes ganhou carta branca para comandar a pauta econômica do governo, Moro tinha ganhado carta branca para comandar o ministério da justiça. Caberia a ele demitir Valeixo, mas ele se negou a tal, e ainda avisou, se o presidente o fizesse seria uma intervncção política da qual ele reagiria pedindo demissão.

O, agora, ex ministro foi contundente no seu discurso de despedida ao acusar Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da polícia federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.

Ora esse tipo de interferência é questionável, ainda mais diante de uma promessa de carta branca ao ministro, os bolsonaristas que defendem o presidente, e atacam o governador Moisés, entrariam em grave dilema ao se deparar com a seguinte situação hipotética:

Imagine em que o governador Moisés, estivesse exigindo de delegados da policia civil do estado, informações sigilosas a delegados relatórios de inteligência sobre possíveis investigações que envolvam as suas próprias ações do governo. Imediatamente Moisés, que já é taxado de traidor, seria ainda mais execrado publicamente.

O que exime de culpa o presidente Bolsonaro caso ele realmente tenha cometido as ações apontadas por Moro?

Lembrando que Sérgio Moro era juiz federal com 22 anos de carreira e a abandonou no intuito de consolidar uma nova política de segurança pública, no seu pacote anticrime, que foi desfigurado pela câmara dos deputados, com acréscimo de item juiz de garantias, O que poderia acarretar em impunidade, essa sabotagem, digo emenda, foi proposta por Marcelo Freixo, deputado do PSOL, homologada pelo presidente da república.

E começam agora nas redes sociais a demonização do ex-ministro, sendo ele taxado de traidor e até mesmo comunista, inerte, que lula só estaria solto por que ele (Moro) estava permitindo isso.

Em seu pronunciamento, Bolsonaro acusou Moro de exigir vaga no Supremo Tribunal Federal, e que o presidente então poderia exonerar Valeixo, só em novembro de 2020.

Cabe ao cidadão analisar a guerra de retóricas e extrair do conflito, quem detém a verdade.

 E outra bomba relógio esta com os “tic tacs’’ por acabar, o conflito Paulo Guedes versus militares. As divergências na pasta econômica estão se acentuando.

Os militares, liderados pelo General Braga Netto, querem repetir a tradição que possuem desde os tempos do regime militar, uma idéia de intervenção estatal no campo econômico, o que vai diretamente contra aos ideais da escola liberal de Paulo Guedes.

Os militares encabeçaram o Plano Pró Brasil, que nada mais é do que uma atualização do antigo PAC, versão Bolsonaro/militares, programa de aceleração do crescimento. O capital estatal financia o desenvolvimento nacional através de grandes obras públicas, lembrando o New Deal, adotado nos Estados Unidos para recuperar a economia norte America após a crise de 1929.

 Porem no Brasil essa foi a receita para o aumento da dívida pública e a criação de diversas estatais no passado, bem como a herança da hiperinflação, e isto bate de frente com os conceitos liberais econômicos da escola de Chicago qual Paulo Guedes é oriundo.

Vejamos o que acontecerá nos próximos capítulos da novela chamada política, onde muito provavelmente Moro será chamado nas redes sociais de traidor, comunista, etc, o homem que sempre foi apontado como a reserva moral do Brasil, que prendeu lideres de facções criminosos, como PCC, um ex presidente corrupto, e outros diversos corruptos da política em geral.

O que foi expresso até aqui não é uma crítica feroz ao governo Bolsonaro, uma visão esquerdista sobre o assunto, pelo contrário, é uma constatação dos fatos sem a ótica marxista ou "isentona".

Como dizia Carlos Lacerda, o último Genuíno homem de Direita do Brasil: "Não tenho medo de comunistas, sempre os combati, Mas se queremos vencê-los é melhor não dar razão aos seus argumentos".

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