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Lula, Flávio Bolsonaro e a Itália: capa da Veja reacende polêmica

Reportagem de 2016 volta a circular após viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Por Elson Lopes
01/11/2026 12:17:42

Uma capa histórica da revista Veja, publicada em março de 2016, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, no fim de outubro de 2026. A publicação reacendeu uma discussão sobre os dois políticos, a cidadania italiana e o tratamento da Justiça brasileira em situações de crise política.

Flávio Bolsonaro e Lula (Arte: Reprodução)

Na época, a Veja estampou uma manchete que provocou grande repercussão nacional: “O plano secreto de Lula para evitar a prisão: pedir asilo à Itália e deixar o Brasil”.

Capa da revista Veja de março de 2016 (Reprodução/Veja)

A reportagem, publicada em 24 de março de 2016 e destaque da edição nº 2471, de 30 de março, afirmava que o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados estudavam alternativas para evitar uma eventual prisão durante as investigações da Operação Lava-Jato.

Segundo a revista, uma das possibilidades discutidas seria solicitar asilo político à Itália, país com o qual a família de Lula mantinha vínculos de cidadania por meio de Marisa Letícia, sua esposa na época.

Entretanto, o suposto plano noticiado pela revista não chegou a se concretizar. Não há comprovação de que Lula tenha formalizado um pedido de asilo naquele episódio.

Dez anos depois, Flávio Bolsonaro deixa o Brasil

A comparação ganhou força após a saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro, poucos dias depois das eleições presidenciais de outubro de 2026.

Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo, o senador utilizou um passaporte italiano para ingressar na Argentina, na noite de terça-feira (27), pela região de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.

Posteriormente, Flávio seguiu viagem com a família e chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), utilizando um passaporte diplomático brasileiro para entrar em território americano, segundo as reportagens.

A movimentação ocorreu após decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas a investigações envolvendo o parlamentar.

Em comunicado oficial divulgado em 28 de outubro, a Polícia Federal informou que havia solicitado medidas cautelares contra Flávio, incluindo a apreensão de passaportes e a proibição de deixar o país.

Os passaportes brasileiros do senador foram cancelados, e ele foi intimado a entregar documentos de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, determinação que, segundo a PF, não foi cumprida.

Polícia Federal esclarece situação jurídica

Apesar das restrições judiciais, a Polícia Federal esclareceu que a situação não caracterizava automaticamente Flávio Bolsonaro como foragido da Justiça.

A corporação informou que investigava as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais, destacando que as restrições aos documentos de viagem, isoladamente, não autorizavam sua prisão.

Até aquele comunicado, não havia mandado de prisão contra o senador.

Dois pesos e duas medidas?

A comparação entre os dois episódios ganhou repercussão após publicação do deputado Lorenzo di Iorio, que relembrou a capa da Veja e questionou se os princípios jurídicos são aplicados igualmente a políticos de campos ideológicos opostos.

Embora exista um ponto em comum envolvendo a Itália, os acontecimentos apresentam diferenças importantes.

Em 2016, a revista noticiou um suposto planejamento de Lula para deixar o Brasil, sem que a saída ou o pedido de asilo se concretizassem.

Já em outubro de 2026, a viagem de Flávio Bolsonaro foi efetivamente realizada, em meio a determinações judiciais relacionadas à entrega de seus passaportes.

A cidadania italiana, por sua vez, não garante imunidade diante da Justiça brasileira nem representa automaticamente a concessão de asilo político.

A existência de tratamento desigual entre os dois casos não pode ser estabelecida apenas pela comparação das manchetes, sendo necessária uma análise das circunstâncias jurídicas de cada episódio.

Debate volta ao centro da política nacional

O ressurgimento da capa histórica mostra como acontecimentos separados por uma década podem alimentar discussões sobre decisões judiciais, liberdade individual e igualdade perante a lei.

O episódio também levanta uma questão que ultrapassa as diferenças partidárias: os mesmos critérios jurídicos devem valer para todos os brasileiros, independentemente de sua posição política.

Enquanto os desdobramentos da investigação envolvendo Flávio Bolsonaro seguem em discussão, a antiga reportagem sobre Lula volta a ocupar espaço no debate público.

A pergunta que permanece é se os dois acontecimentos representam apenas uma coincidência histórica envolvendo a Itália ou se a comparação revela questionamentos mais amplos sobre a atuação das instituições brasileiras.

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