O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 18,12% na semana encerrada nesta sexta-feira (30), a primeira após o segundo turno da eleição presidencial. Segundo levantamento do InfoMoney, a perda coloca a semana entre as quatro maiores quedas semanais do índice neste século e iguala o recuo registrado na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Na segunda-feira (26), o índice despencou 13,88%, e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia. Em outubro, depois do primeiro turno, o Ibovespa havia superado os 209 mil pontos.

Painel de cotações da Bolsa de Valores de São Paulo. Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
De acordo com a reportagem, o movimento reflete a reversão do chamado rali eleitoral: investidores tinham apostado na vitória do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, e desmontaram posições após a reeleição do presidente Lula. Preocupações fiscais e fatores externos também pesaram.
Para Rafael Cagnin, diretor-executivo do Iedi, a queda de 2026 representa uma correção de expectativas, e não uma mudança de patamar. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, avalia que o mercado já precifica o cenário a partir de 2027 e aponta contas públicas, juros, custo da dívida e negociações no Congresso como pontos de atenção.
Jason Vieira, economista-chefe da Lev, afirmou que "tudo vai depender dos anúncios" do governo sobre a política fiscal.
Os títulos do Tesouro Direto também fecharam a semana no vermelho, segundo o InfoMoney. O Tesouro IPCA+ 2050 teve a maior perda, de 17,19%. Na segunda-feira, o Tesouro Nacional cancelou os leilões previstos para a semana e recomprou cerca de R$ 31,6 bilhões em títulos. A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento.
Com informações do InfoMoney.