Os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a América Latina e o Caribe aumentaram 15% no primeiro semestre de 2026, mas o valor dos novos projetos anunciados na região caiu 18% no mesmo período. Os dados são da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e foram divulgados pela Bloomberg Línea.

Imagem ilustrativa: contêineres no Porto de Salvador (BA). Foto: Samory Pereira Santos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
De acordo com o Global Investment Trends Monitor nº 51, divulgado no Fórum Mundial de Investimentos de 2026, em Doha, no Catar, a região recebeu US$ 108 bilhões em investimento estrangeiro direto no semestre, alta de 15% em relação à média semestral de 2025. Já o valor do financiamento internacional de projetos, indicador importante para obras de infraestrutura e energia, recuou 35%.
"Os valores estão aumentando, mas não necessariamente os investimentos que geram novas capacidades produtivas e empregos", afirmou à Bloomberg Línea Pedro Manuel Moreno, secretário-geral interino da UNCTAD.
Em 2025, a América Latina e o Caribe receberam US$ 188 bilhões em investimento estrangeiro direto, alta de 14% em relação ao ano anterior, mas 95% desses fluxos se concentraram em dez economias. No mundo, o investimento estrangeiro direto subiu 37% no primeiro semestre de 2026, enquanto o número de novos projetos anunciados caiu 15%.
Segundo a UNCTAD, o capital internacional tem se concentrado em setores como inteligência artificial, infraestrutura digital, centros de dados, energia renovável e minerais críticos. Esses setores estratégicos passaram de 16% do valor mundial dos novos projetos anunciados em 2020 para 44% em 2025.
"A região precisa melhorar sua infraestrutura, reduzir os obstáculos administrativos e facilitar o financiamento. Também precisa integrar melhor seus mercados e conectar o investimento estrangeiro às empresas locais", disse Moreno. Para ele, "o sucesso não deve ser medido apenas pelo volume de capital que entra, mas também pelos empregos de qualidade que gera".
Fonte: Bloomberg Línea / UNCTAD