A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 0,97% em setembro, puxada pela incidência de juros, segundo números divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional. O estoque passou de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões no mês passado.

Esplanada dos Ministérios, em Brasília (imagem ilustrativa). Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O indicador havia superado a barreira de R$ 9 trilhões em maio deste ano. Apesar da alta, a dívida está abaixo do previsto: de acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado em agosto, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), em títulos, avançou 1,04%, de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro. No mês, o Tesouro emitiu R$ 3,78 bilhões em títulos a mais do que resgatou, volume baixo para os padrões históricos. A apropriação de R$ 89,29 bilhões em juros, porém, impediu a queda do endividamento.
Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece mês a mês a correção que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida. Com a Taxa Selic em 13,75% ao ano, esse mecanismo pressiona o endividamento.
Em setembro, o Tesouro emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos da DPMFi, e os resgates somaram R$ 185,66 bilhões, motivados principalmente pelo elevado volume de vencimentos de títulos corrigidos pela Selic.
Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 0,82%, de R$ 348,26 bilhões para R$ 345,41 bilhões, principalmente pela estabilidade do dólar no mês e pelo pagamento corrente de cerca de R$ 3 bilhões.
Após cair em agosto, o colchão da dívida pública — reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos — subiu de R$ 1,208 trilhão para R$ 1,273 trilhão. A reserva cobre atualmente 7,71 meses de vencimentos. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,87 trilhão em títulos federais.
De agosto para setembro, a fatia de títulos vinculados à Selic caiu de 52,74% para 51,6%; a de títulos corrigidos pela inflação passou de 23,22% para 23,59%; a de prefixados, de 20,31% para 21,14%; e a de títulos vinculados ao câmbio, de 3,74% para 3,67%.
Com informações da Agência Brasil.