A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (27) uma operação que tem como principal alvo o ex-presidente do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque (São Roque Prev), no interior de São Paulo. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no município paulista e em endereços de Pernambuco.
A investigação apura suspeitas de fraudes em investimentos feitos pelo instituto, entre eles aplicações em Letras Financeiras do Banco Master. O prejuízo estimado para o São Roque Prev é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor que está bloqueado para os suspeitos.

Edifício-sede do Banco Central, em Brasília (imagem de arquivo/ilustrativa). Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Segundo as autoridades, os investimentos teriam sido embasados por pareceres técnicos genéricos e sem fundamentação adequada, sem considerar análises comparativas de ativos disponíveis no mercado e a diversificação do portfólio. A investigação apura ainda a suspeita de que o processo de decisão tenha sido direcionado, com os emissores escolhidos antes mesmo da avaliação dos riscos.
Os investigados poderão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e peculato financeiro.
Em fevereiro de 2024, o comitê de investimentos do São Roque Prev aprovou por unanimidade um aporte de R$ 93,2 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, pago em sete parcelas entre abril e setembro daquele ano. A decisão substituiu ativos que o instituto mantinha no BTG Pactual, após parecer favorável de uma consultoria privada.
Os aportes também foram alvo de uma CPI na Câmara Municipal de São Roque. O relatório final não atribuiu responsabilidade a nenhuma autoridade municipal, culpou o Banco Central por suposta omissão na fiscalização e questionou a atuação da consultoria que analisou os investimentos. Proporcionalmente, São Roque é apontado como o município mais afetado por investimentos sem garantia no Banco Master.