Mais de 80% das seções eleitorais de São Paulo já estavam fechadas quando chegou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação do segundo turno até as 19h. A informação foi dada pelo presidente do TRE-SP, desembargador José Antonio Encinas Manfré, em entrevista coletiva neste domingo (25), segundo a Agência Brasil.
"A maioria delas já estava fechada às 17h", disse Manfré. Segundo ele, a comunicação oficial do Supremo só chegou ao tribunal paulista às 18h17, mais de uma hora depois do horário previsto para o fechamento das urnas. O desembargador afirmou que soube da prorrogação pela imprensa, por volta das 17h.

Urna eletrônica modelo UE2020, usada nas eleições brasileiras. Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE (domínio público)
"Não houve prejuízo", diz TRE
Manfré disse que, ao receber o comunicado, o tribunal cumpriu a decisão imediatamente e notificou todos os locais de votação, mas não informou em que horário as zonas eleitorais foram avisadas. Apesar do atraso e de muitos eleitores não terem conseguido votar depois das 17h, ele afirmou acreditar que não houve prejuízo ao processo eleitoral em São Paulo, já que o horário de encerramento é fixado em lei.
Sobre as denúncias de que a prefeitura da capital teria reduzido a frota de ônibus no dia da eleição, o presidente do TRE-SP disse que o caso não cabe ao tribunal, e sim ao juiz da 1ª Zona Eleitoral. A prefeitura atribuiu as dificuldades ao prazo curto para reorganizar as escalas após a decisão judicial que determinou 100% da frota.
Decisão dividiu os dois lados
A prorrogação atendeu a um pedido da campanha de Lula, que alegou falta de transporte público em cidades da Bahia e de outros estados. Aliados do petista, como Guilherme Boulos, comemoraram a medida. Já aliados de Flávio Bolsonaro, como o governador Tarcísio de Freitas e o senador Rogério Marinho, criticaram a decisão, tomada minutos antes do fim da votação, e lembraram que Zanin foi advogado de Lula.
Segundo boletim do TRE-SP, 308 urnas precisaram ser substituídas no estado durante o segundo turno, o equivalente a 0,26% dos 114.605 equipamentos usados.