O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou neste domingo (25) a prorrogação do horário de votação do segundo turno até as 19h em todo o país, foi advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha presidencial de 2022.
De acordo com a prestação de contas da campanha apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o escritório Zanin Martins Advogados recebeu R$ 1,2 milhão por serviços advocatícios. Registros do PT no TSE também mostram pagamentos de cerca de R$ 1,7 milhão do partido ao escritório entre 2019 e 2022, por consultoria jurídica — os valores foram divulgados pela imprensa em 2023.

Lula e Cristiano Zanin na sessão de posse do ministro no STF, em agosto de 2023. Foto: Vice-Presidência da República/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Zanin ganhou projeção nacional como advogado de Lula nos processos da Operação Lava Jato. Em 2023, foi indicado pelo presidente para uma vaga no STF e teve o nome aprovado pelo Senado por 58 votos a 18.
A decisão deste domingo atendeu a uma reclamação apresentada pela coligação de Lula, que apontou falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Segundo a imprensa, Zanin foi sorteado relator do pedido. Ele considerou haver "urgência evidente" e determinou que o TSE cumprisse a prorrogação.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) também havia pedido mais tempo de votação, mas em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina atingidas pelas chuvas. Após a decisão, o TSE pausou a divulgação da apuração. Até a publicação desta matéria, Zanin não havia se manifestado sobre questionamentos à sua atuação no caso, e a campanha de Flávio não havia comentado a decisão.