
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (22), a Operação São Silvestre, destinada a combater um suposto esquema de investimentos fraudulentos que pode ter prejudicado mais de 10 mil pessoas no Brasil e no exterior.
A investigação aponta que grupos suspeitos utilizavam plataformas digitais para atrair investidores com promessas de lucros extraordinários em criptomoedas e operações financeiras supostamente realizadas por robôs automatizados.
A operação ocorre em cinco estados brasileiros, incluindo Santa Catarina, onde policiais federais cumprem mandados em Blumenau, Pomerode, Indaial, Rio do Sul e Florianópolis.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas, até o limite de R$ 100 milhões.
A medida busca preservar o patrimônio dos investigados e possibilitar eventual ressarcimento às vítimas.
Segundo as investigações, as plataformas ofereciam rendimentos considerados incompatíveis com a realidade do mercado financeiro.
Os investidores eram atraídos por promessas de ganhos entre 2% e 3% ao dia, ou de 10% a 70% ao mês.
Os responsáveis pelos negócios afirmavam que os resultados seriam obtidos por meio de investimentos em criptomoedas e operações automatizadas, utilizando sistemas conhecidos como robôs de negociação.
Entretanto, a Polícia Federal identificou características de pirâmide financeira nos modelos investigados.
As suspeitas envolvem a captação de recursos de investidores em diferentes estados brasileiros e também no exterior, principalmente entre os anos de 2018 e 2020.
A estimativa é de que mais de 10 mil pessoas possam ter sido prejudicadas.
A Operação São Silvestre prevê o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em dez municípios brasileiros.
Em Santa Catarina, as diligências estão distribuídas da seguinte forma:
Blumenau: dois mandados;
Florianópolis: um mandado;
Pomerode: um mandado;
Indaial: um mandado;
Rio do Sul: um mandado.
Também são realizadas buscas em Curitiba, no Paraná; Álvares Machado, em São Paulo; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e Jaboatão dos Guararapes e Recife, em Pernambuco.
As ordens judiciais foram expedidas pelo 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.
O objetivo é reunir documentos, equipamentos e outras provas que possam esclarecer o funcionamento das plataformas e a movimentação dos recursos captados.
Uma das principais medidas da operação é o bloqueio judicial de bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas investigadas.
A decisão estabelece um limite de até R$ 100 milhões, com o objetivo de impedir a movimentação de patrimônio que poderá ser utilizado para reparar os prejuízos das vítimas.
É importante destacar que o valor não representa necessariamente a quantia já recuperada pela Polícia Federal, nem corresponde a um prejuízo total comprovado.
O montante é o limite autorizado pela Justiça para as medidas de bloqueio patrimonial.
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, os envolvidos são investigados por crimes como associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional e o mercado de capitais.
A Polícia Federal busca esclarecer a participação de cada investigado, o destino dos recursos captados e a extensão dos possíveis prejuízos financeiros.
A responsabilização criminal dependerá da análise das provas e dos procedimentos judiciais.
Pessoas que realizaram investimentos nas plataformas investigadas e possuem documentos que comprovem os pagamentos podem colaborar com a Polícia Federal.
Entre os materiais que podem auxiliar as autoridades estão comprovantes de transferências bancárias, registros de pagamentos em criptomoedas, contratos, extratos financeiros e conversas com representantes das plataformas.
A orientação é preservar os documentos originais e buscar os canais oficiais da Polícia Federal para obter informações sobre o encaminhamento dos registros.
A operação também reforça a importância de desconfiar de investimentos que prometem rentabilidade extraordinária ou lucros garantidos, especialmente quando não existem informações claras sobre o funcionamento e os riscos das aplicações.
As investigações continuam, e novos desdobramentos poderão esclarecer o número definitivo de vítimas, os valores envolvidos e a eventual recuperação dos recursos.
Fontes: Polícia Federal