A popularização das canetas emagrecedoras já começa a aparecer nas araras e nas linhas de produção de Brusque, um dos principais polos têxteis e de confecção de Santa Catarina. Empresas da cidade relatam aumento na procura por tamanhos menores, ajustes na quantidade de peças fabricadas por numeração e maior interesse por roupas fitness.
Na Rocksham Jeans, as equipes das lojas perceberam clientes voltando para renovar o guarda-roupa depois de perder medidas, em alguns casos reduzindo dois ou mais números. Segundo a diretora criativa Vanda Maria de Oliveira Dezideiro, a marca mantém jeans femininos até o tamanho 48 e masculinos até o 50, mas a saída das numerações maiores caiu. Hoje, os tamanhos 36 a 40 concentram a maior parte da procura no jeans feminino.

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Por enquanto, a modelagem não mudou. “Não mudamos a modelagem, ajustamos a grade de produção para atender à nova realidade nas vendas”, explica Vanda. A empresa usa os resultados de vendas para definir as quantidades de cada tamanho nas próximas coleções e evitar sobra de estoque.
Mais marcas fitness
Na Sala de Moda da AmpeBr, que oferece modelagem, desenvolvimento de coleções e impressão de moldes, a modelista e estilista Roberta Lopes nota mais gente procurando o serviço para lançar marcas de roupa esportiva. “Temos muitos clientes que estão entrando agora no mercado lançando marca fitness”, relata. Ela também observa crescimento dos tamanhos menores e das peças de tamanho único, embora ainda não haja dados que confirmem a relação com as mudanças nas medidas dos consumidores.
Indústria de olho
Presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindivest) de Brusque e diretora comercial da Mensageiro dos Sonhos, fabricante de pijamas, Patrícia Conti diz que a mudança nos manequins se intensificou no último semestre. “Nosso público já está adquirindo um tamanho menor”, afirma. Para ela, o movimento parece mais forte na moda feminina e deve ficar mais evidente nas próximas coleções.
“Quando o mercado sinaliza, automaticamente a indústria se adapta”, resume Patrícia. Como muitas confecções da cidade produzem no modelo private label, para outras marcas, as mudanças chegam pelos pedidos dos clientes comerciais.
A presidente do Sindivest avalia, porém, que ainda é cedo para medir o impacto das canetas no setor. Nem todas as mudanças podem ser atribuídas apenas aos medicamentos, e a confirmação de um efeito mais amplo depende do acompanhamento das vendas e dos pedidos ao longo do tempo.