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Polícia investiga possível remédio contra câncer falsificado em Itajaí

Paciente usou o produto por 20 dias; material será periciado.

Por Maju Cardoso
09/10/2026 17:33:08

Foto: Divulgação/ Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga a procedência e a autenticidade de um produto apresentado como Lorlatinib 100 mg, medicamento utilizado em tratamento oncológico, adquirido de uma empresa localizada em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.

A apuração começou após um paciente com leucemia utilizar o produto por cerca de 20 dias e perceber que o tratamento não apresentava os efeitos esperados. O caso foi levado ao médico responsável, que identificou inconsistências nas embalagens internas do material.

Segundo a Polícia Civil, o produto havia sido adquirido após uma decisão judicial, já que o medicamento prescrito não era fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A compra foi feita por uma Secretaria de Saúde junto à empresa de Itajaí.

Material apresentou semelhanças com produto vendido na China

Durante as diligências, os investigadores identificaram elementos que levantaram suspeitas sobre a natureza do conteúdo apresentado como medicamento.

Pesquisas em bases de dados e fontes comerciais estrangeiras apontaram semelhanças entre as cartelas investigadas e um produto comercializado na China como uma espécie de bala macia, ou “soft candy”, sabor taro.

A Polícia Civil ressalta, porém, que ainda não é possível afirmar que o material seja realmente um produto alimentício ou que tenha sido falsificado.

O conteúdo será submetido a perícia para determinar sua composição e identidade. Também não está definido, até o momento, quando ou por quem o material teria sido colocado na embalagem apresentada como medicamento.

Documentos foram apreendidos em Itajaí

Durante a Operação Efeito Colateral, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na empresa de Itajaí.

Segundo a investigação, não foram encontradas outras unidades do medicamento analisado, mas documentos foram apreendidos e devem auxiliar na apuração sobre a origem, importação e distribuição do produto.

A investigação busca esclarecer como o material chegou até o paciente e se houve responsabilidade de pessoas ou empresas ao longo da cadeia de fornecimento.

A delegada Milena Simioli, titular da Delegacia de Polícia de Proteção ao Consumidor, Saúde Pública e da Propriedade Intelectual, Imaterial e Industrial (DECON), afirmou que o caso é tratado com atenção por envolver um produto destinado ao tratamento do câncer.

A investigação segue sob sigilo e aguarda, entre outras medidas, o resultado da perícia no material apreendido.

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