
Imagem: A Gazeta
Santa Catarina registrou no primeiro turno das eleições de 2026 o maior índice de abstenção em uma eleição geral desde 1982. Ao todo, 1.084.991 eleitores aptos deixaram de comparecer às urnas no domingo (4), o equivalente a 18,97% do eleitorado.
Na prática, quase um em cada cinco catarinenses que poderia votar não foi às urnas. O número também mantém uma marca que chama atenção: pela segunda eleição geral consecutiva, mais de 1 milhão de eleitores do Estado deixaram de votar.
Em 2022, foram 1.012.343 ausentes, o equivalente a 18,46%. Ou seja, em quatro anos, o número de faltosos aumentou em mais de 72 mil pessoas.
O crescimento da abstenção ocorreu principalmente nos maiores colégios eleitorais. As 12 cidades catarinenses com mais de 100 mil eleitores concentraram 52.196 ausentes a mais em relação a 2022. Esse número representa 72% de todo o aumento registrado no Estado.
Nesses municípios, a taxa média de abstenção passou de 17,8% para 19,2%.
Entre os maiores colégios eleitorais, Balneário Camboriú apresentou o maior percentual de eleitores que não compareceram às urnas, com 22,9%. Na sequência aparecem Lages, com 21%, e Criciúma, com 20,7%.
Já os menores índices foram registrados em Jaraguá do Sul, com 15,2%, e Brusque, com 16,6%.
Florianópolis também chamou atenção pelo número absoluto de ausentes. Foram 86.178 eleitores que não votaram, superando Joinville, que registrou 78.935 faltosos, apesar de possuir o maior eleitorado do Estado.
Na Capital, a abstenção passou de 18% em 2022 para 20,5% neste ano.
Para o professor de Administração Pública Daniel Pinheiro, da Udesc, fatores relacionados à rotina das grandes cidades podem ajudar a explicar parte desse comportamento. Entre eles estão dificuldades de deslocamento, estacionamento e transporte público, além das condições climáticas no dia da votação.
O cenário também aparece quando os números são observados em todo o Estado. Dos 295 municípios catarinenses, 152 registraram aumento na abstenção, enquanto 143 tiveram redução.
Nas cidades menores, com até 10 mil eleitores, o índice foi de 15,8%, abaixo dos 16,2% registrados em 2022.
Outro dado que chama atenção envolve os votos brancos e nulos. Além dos mais de 1,08 milhão de eleitores que não foram votar, 368.909 pessoas compareceram às urnas, mas não escolheram nenhum candidato ao Governo do Estado.
Foram 169.920 votos em branco e 198.989 nulos. Somados aos ausentes, são 1.453.900 catarinenses que não escolheram nenhum nome para o governo, o equivalente a 25,4% do eleitorado apto.
O Senado foi o cargo que mais registrou votos sem candidato. Brancos e nulos chegaram a 13,1% dos votos para senador. Somando esse percentual à abstenção, quase três em cada dez eleitores deixaram de escolher um nome para o cargo.
O aumento da ausência também é perceptível quando se olha para a série histórica. Em 2010, a abstenção em Santa Catarina era de 14%. Em 2022, ultrapassou pela primeira vez a marca dos 18%.
Desde 2010, o eleitorado apto a votar cresceu 26,1%. No mesmo período, porém, o número de ausentes aumentou 70,4%.
Para o professor Daniel Pinheiro, o resultado pode estar relacionado também ao distanciamento de parte da população em relação à política. Segundo ele, a falta de grandes debates e propostas durante a campanha contribuiu para o desinteresse de alguns eleitores.
O cenário merece ainda mais atenção porque a tendência histórica mostra que a abstenção costuma aumentar no segundo turno.
Em 25 de outubro, os catarinenses voltarão às urnas para escolher apenas o presidente da República. A disputa será entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O voto continua obrigatório para eleitores de 18 a 70 anos. Para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 e analfabetos, o voto é facultativo.
Com a eleição estadual já definida, o desafio agora será levar novamente milhões de catarinenses às urnas para a decisão presidencial.