Foto: montegamde IA/Divulgação
O resultado das eleições de 2026 começou a produzir efeitos muito além das urnas. A nova composição do Senado Federal, com forte avanço de parlamentares identificados com a direita e o bolsonarismo, acendeu o sinal de alerta nos bastidores do Supremo Tribunal Federal.
Segundo apuração da analista de Política Jussara Soares, da CNN Brasil, uma ala do STF passou a defender a abertura de diálogo com setores do bolsonarismo diante do novo cenário político que se desenha para 2027. CNN Brasil
A preocupação estaria diretamente relacionada ao crescimento, no Senado, do número de parlamentares favoráveis à abertura de processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte.
Outra apuração da CNN aponta que integrantes do STF estimam que cerca de 50 senadores da nova composição seriam declaradamente favoráveis ao impeachment de ministros da Corte. Alexandre de Moraes é apontado como o principal alvo de uma eventual ofensiva no Senado. CNN Brasil
Flávio Dino também aparece nas discussões políticas envolvendo possíveis pedidos de afastamento.
O movimento ajuda a explicar por que o resultado das urnas provocou repercussão imediata dentro do Supremo. A Folha de S.Paulo também informou que ministros passaram a considerar concreto o risco de processos de impeachment e avaliam aproximação com setores considerados mais moderados do PL. Folha de S.Paulo
Do outro lado, porém, a disposição para uma conciliação está longe de ser consenso.
Segundo a CNN, integrantes do PL rejeitam a ideia de um “acordão” destinado a retirar a pressão sobre ministros e defendem a continuidade das articulações envolvendo pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes e, eventualmente, Flávio Dino. CNN Brasil
O embate coloca o Senado no centro do cenário político de 2027. É justamente a Casa que possui competência constitucional para processar e julgar ministros do STF nos casos previstos pela legislação.
A tentativa de aproximação ocorre depois de anos de forte tensão entre setores da direita e ministros do Supremo.
Decisões envolvendo redes sociais, investigações, bloqueios de perfis, processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro transformaram especialmente Alexandre de Moraes em um dos ministros mais contestados pelo bolsonarismo.
Agora, a correlação de forças mudou.
A eleição de uma bancada conservadora robusta aumentou a capacidade de pressão do Congresso sobre o Judiciário e abriu espaço para discussões que vão desde impeachment de ministros até mudanças nas regras de funcionamento da própria Corte. Folha de S.Paulo
Apesar do clima de confronto, movimentos institucionais já começaram. Nesta semana, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, reuniu-se com o presidente do STF, Edson Fachin. Após o encontro, Marinho afirmou que o Senado não será omisso diante de eventuais crimes de responsabilidade cometidos por ministros. Correio Braziliense
O que acontece daqui para frente dependerá também do resultado do segundo turno presidencial e, posteriormente, da eleição para o comando do Senado.
Uma coisa, porém, já parece evidente: o resultado das urnas alterou a correlação de forças em Brasília e colocou a relação entre Senado e Supremo entre os principais temas da política nacional.
A pergunta que fica é: o momento será de pacificação institucional ou de um acerto de contas político entre Congresso e Supremo?