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Aos 103 anos, dona Maria enfrenta a chuva para dar exemplo de cidadania

Após receber alta de hospital, ela foi às urnas e mostrou que participar também é uma escolha

Por Redação C
04/10/2026 15:58:07

Imagem: Rodrigo Corrêa

Aos 103 anos, dona Maria Evangelina da Silva Jardim mostrou neste domingo (4) que nunca é tarde para participar da vida democrática. Mesmo após passar por uma internação e enfrentando a chuva, ela fez questão de sair de casa para votar e cumprir aquilo que considera uma verdadeira missão de cidadania.

“São mais de 30 anos cumprindo a minha obrigação de cidadã. Eu vim dar exemplo”, contou dona Maria.

Ela chegou ao local de votação por volta das 11h, em uma cadeira de rodas e acompanhada da filha, Adelaide. Com a ajuda da família, levou pouco mais de um minuto para registrar seu voto. O momento foi acompanhado pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), Carlos Roberto da Silva.

A disposição impressiona ainda mais porque dona Maria havia permanecido hospitalizada até a sexta-feira (2), tratando uma infecção urinária. Depois de receber alta, ela perguntou às filhas se poderia ir votar. A resposta veio neste domingo, quando ela fez questão de estar diante da urna eletrônica.

Aos 103 anos, porém, o voto de dona Maria não é obrigatório. Pela legislação eleitoral brasileira, o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos. Por isso, sua presença nas urnas ganha um significado ainda maior: ela estava ali porque escolheu participar.

E dona Maria não está sozinha. Santa Catarina tem 5.725.753 eleitoras e eleitores aptos a votar nas Eleições 2026. Desse total, 589.010 têm 70 anos ou mais, o equivalente a 10,28% do eleitorado catarinense.

Enquanto alguns eleitores comparecem às urnas por obrigação legal, milhões também exercem o voto como uma escolha pessoal. É justamente nesse grupo que a história de dona Maria se destaca.

Neste primeiro turno, os catarinenses escolhem presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, dois senadores, deputados federais e 40 deputados estaduais. Para garantir a votação, cerca de 80 mil mesários e profissionais de apoio foram mobilizados em aproximadamente 17,3 mil seções eleitorais espalhadas pelos 295 municípios do Estado.

O eleitorado catarinense também revela uma diversidade de idades e histórias. As mulheres são maioria, representando 52,26% dos eleitores, enquanto os homens correspondem a 47,74%.

A faixa etária com maior número de eleitores está entre 40 e 44 anos, com 593.960 pessoas, o equivalente a 10,37% do eleitorado estadual.

Na outra ponta estão os jovens de 16 e 17 anos, que também têm o voto facultativo. Em Santa Catarina, são 45.053 eleitores nessa faixa etária.

De um lado, estão aqueles que começam a descobrir a importância de participar das decisões do país. Do outro, pessoas como dona Maria, que carregam mais de um século de histórias e acompanharam profundas transformações na sociedade brasileira.

É um encontro de gerações diante da mesma urna eletrônica.

O eleitorado catarinense também mudou nos últimos anos com a chegada de pessoas de outras regiões do país. Entre novembro de 2024 e o fechamento do cadastro eleitoral, em 6 de maio de 2026, foram realizadas 260.546 transferências de domicílio eleitoral em Santa Catarina.

Dona Maria representa uma dessas histórias que os números não conseguem contar por inteiro. Aos 103 anos, depois de enfrentar uma internação e apesar das dificuldades impostas pela idade e pelo tempo chuvoso, ela fez questão de estar ali.

Seu voto não era uma obrigação.

Era uma escolha.

E, para ela, também foi uma forma de deixar um recado para as novas gerações: participar importa.

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