
Imagem: TSE
Muito antes de o eleitor chegar à seção para votar, as urnas eletrônicas já passam por uma série de procedimentos para verificar a segurança e o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro.
Para as Eleições Gerais de 2026, a Justiça Eleitoral mantém etapas de fiscalização que envolvem análise dos códigos-fonte, testes de segurança, verificação dos sistemas instalados nos equipamentos e auditorias realizadas no próprio dia da votação.
Segundo o desembargador eleitoral substituto Marcelo Volpato, que preside uma comissão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC voltada à integridade das urnas, esse trabalho começa aproximadamente um ano antes do pleito, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os códigos-fonte dos sistemas às entidades fiscalizadoras.
A abertura permite que representantes autorizados analisem os programas e procurem possíveis vulnerabilidades. O processo também inclui o Teste Público de Segurança, no qual especialistas e participantes podem apresentar propostas de testes e apontar possíveis melhorias.
Outro ponto destacado pela Justiça Eleitoral é que a urna eletrônica não possui conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth. Os equipamentos utilizam sistemas desenvolvidos pelo TSE e mecanismos de assinatura digital e criptografia para verificar a autenticidade dos programas instalados.
No dia da votação, a fiscalização ganha uma etapa que poderá ser acompanhada publicamente: o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas.
O procedimento é realizado simultaneamente à votação oficial. Urnas escolhidas para a auditoria recebem votos previamente registrados em cédulas de papel. Esses mesmos votos são digitados nos equipamentos e, ao final, o resultado eletrônico é comparado com a quantidade de votos existente nas cédulas.
Em Santa Catarina, a previsão apresentada pelo TRE-SC é de realização do procedimento na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, durante o horário oficial de votação, das 8h às 17h.
Além disso, as regras das Eleições 2026 também preveem o Teste de Integridade com Biometria, realizado em locais próximos às seções eleitorais, com a participação voluntária de eleitores após o voto.
A fiscalização continua após o encerramento da votação. Às 17h, cada urna imprime o Boletim de Urna, documento que apresenta os votos registrados naquela seção. Os dados permitem a conferência posterior com a totalização divulgada pela Justiça Eleitoral.
Os procedimentos fazem parte do conjunto de mecanismos de auditoria previstos para as Eleições 2026 e são realizados com participação de entidades fiscalizadoras e possibilidade de acompanhamento público.
Para o eleitor, a principal novidade prática é que parte dessas etapas ocorre de forma pública e pode ser acompanhada, permitindo verificar como funciona a conferência dos resultados registrados pelas urnas.