O ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, autorizou o acesso aos arquivos armazenados na nuvem de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Durante sessão da 2ª Turma do STF, ele afirmou que o material da investigação indica suspeitas de intimidação e violações de sistemas e disse que “tem mais coisa por vir”.
Os dados estavam no iCloud de Sicário, apontado pela investigação como integrante da estrutura ligada a Daniel Vorcaro. Mendonça informou que determinou nesta semana a quebra do sigilo do conteúdo ao defender a manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel.
A Polícia Federal encontrou mensagens em que Joana Mourão, irmã de Sicário, cobrava R$ 100 mil e ameaçava divulgar informações caso não recebesse apoio financeiro. Segundo o relatório policial, ela teria acessado arquivos da nuvem do irmão na noite anterior aos diálogos, registrados em 26 de abril de 2026.

A investigação apura se houve tentativa de silenciar testemunhas por meio de pagamentos. Manoel Mendes Rodrigues teria atuado como intermediário junto a Henrique Vorcaro, e os diálogos analisados pela PF indicariam planejamento de um contrato fictício para justificar a transferência dos valores.
As defesas rejeitam as acusações. Os advogados de Henrique afirmam que existem contratos imobiliários lícitos com Felipe Mourão desde 2021. A defesa de Manoel sustenta que ele prestava serviços regulares de vigilância para a família no Rio de Janeiro.
A 2ª Turma do STF manteve as prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça. Gilmar Mendes defendeu prisão domiciliar para o pai de Daniel e criticou a condução do caso ao compará-la à Lava Jato.