
Imagem: Airton Fernandes
A Defesa Civil de Santa Catarina atualizou nesta quinta-feira (3) o monitoramento do El Niño e fez um alerta para a possível intensificação do fenômeno nas próximas semanas.
Atualmente, a temperatura do Oceano Pacífico na região do Niño 3.4 está 1,8°C acima da média. Esse valor coloca o El Niño na categoria forte e próximo do nível considerado muito forte, que começa quando a anomalia ultrapassa 2°C.
Segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, existe a possibilidade de o fenômeno superar os 2°C entre o fim de setembro e outubro.
A chegada da primavera coloca Santa Catarina em um período que merece atenção especial. Historicamente, o El Niño pode favorecer o aumento da frequência e dos volumes de chuva no Sul do Brasil, principalmente durante as estações de transição.
Para Santa Catarina, a combinação entre a influência do fenômeno e as características da primavera pode contribuir para episódios de chuva volumosa, temporais, vendavais, alagamentos, inundações e deslizamentos.
A Defesa Civil aponta a primavera de 2026 e o outono de 2027 como períodos que devem receber acompanhamento mais próximo diante da possível influência do El Niño.
Os sinais já aparecem no comportamento das chuvas. De acordo com o monitoramento estadual, julho terminou com volumes de precipitação acima do esperado em Santa Catarina, enquanto as projeções anteriores também indicavam possibilidade de chuva acima da média em agosto.
Apesar da preocupação, a Defesa Civil faz uma ressalva importante: um El Niño mais forte não significa, sozinho, que os próximos eventos meteorológicos serão necessariamente mais extremos.
A ocorrência de temporais, enchentes e outros desastres depende da combinação de diversos fatores atmosféricos e oceânicos. Por isso, não é possível determinar a intensidade de um desastre apenas pela força do El Niño.
Frederico Rudorff lembra que as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 aconteceram durante um El Niño moderado e foram mais intensas do que eventos registrados em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já observadas.
O especialista também destaca que episódios severos podem acontecer durante a La Niña, como os eventos registrados em 2008, as enchentes do Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
O fenômeno é acompanhado principalmente pela região do Niño 3.4, uma das quatro áreas de monitoramento do Pacífico Equatorial. O El Niño ocorre quando a temperatura da superfície do mar permanece pelo menos 0,5°C acima da média climatológica durante vários meses.
A classificação atual considera o fenômeno fraco entre 0,5°C e 0,9°C, moderado entre 1°C e 1,4°C, forte entre 1,5°C e 1,9°C e muito forte acima de 2°C.
Mesmo com o atual registro de 1,8°C, a classificação precisa levar em consideração a persistência desse comportamento ao longo do período de avaliação.
A Defesa Civil de Santa Catarina continua acompanhando as condições do oceano e da atmosfera. Para os moradores, a recomendação é ficar atento às atualizações dos órgãos oficiais, principalmente durante episódios de chuva intensa, temporais e elevação dos rios.