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Um detalhe do relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro chama atenção pela sequência de ações registradas digitalmente pelos investigadores.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava o aplicativo de notas do próprio telefone para registrar determinadas informações, fazia uma captura de tela e, poucos segundos depois, acessava o WhatsApp. Em diversas situações analisadas, a primeira mensagem era enviada para um número salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
De acordo com o relatório, os investigadores reconstruíram essa sequência a partir dos horários de abertura das notas, das capturas de tela, da criação automática dos arquivos e dos registros de envio pelo WhatsApp.
A análise teria identificado cinco notas recuperadas diretamente na conversa e outras 52 notas encontradas no aparelho e examinadas a partir da sequência das atividades digitais.
Entre os registros está uma anotação na qual Vorcaro afirma ter recebido informações que seriam informais e confidenciais de pessoas ligadas ao Banco Central. Na mesma nota, aparece a orientação para “reforçar com Andrei e Paulo” a necessidade de impedir que alguém de baixo fizesse, conforme o texto registrado, “uma sacanagem”.
O próprio relatório da PF ressalta que os nomes “Andrei” e “Paulo” podem se referir a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. A identificação, porém, é apresentada como hipótese investigativa, e não como conclusão definitiva.
Ainda não está esclarecido, a partir dessas informações, qual era o conteúdo integral das mensagens enviadas, quem efetivamente respondeu, qual teria sido o pedido feito por Vorcaro ou se alguma autoridade tomou providências em razão das conversas.
Outro ponto registrado pela investigação é que o contato atribuído a Moraes estava configurado para apagar automaticamente as mensagens após 24 horas.
Os registros digitais, por si só, não comprovam crime, favorecimento ou qualquer irregularidade por parte das autoridades citadas. O que eles demonstram é a existência de uma sequência de ações e comunicações que passou a integrar a investigação da Polícia Federal e que ainda precisa ser esclarecida.