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Procon SC passa a receber denúncias de violência contra mulheres em todas as unidades

Iniciativa oferece atendimento humanizado e encaminhamento sigiloso à PC para ampliar a rede

Por Redação C
27/07/2026 20:12:31

Imagem: Reprodução

As mulheres vítimas de violência doméstica e patrimonial em Santa Catarina ganharam um novo canal de apoio. A partir desta segunda-feira (27), todas as unidades do Procon SC passaram a receber denúncias de violência contra a mulher, oferecendo acolhimento humanizado e encaminhamento seguro dos casos à Polícia Civil.

A iniciativa busca facilitar o acesso das vítimas à rede de proteção, especialmente daquelas que, por medo ou receio de represálias, evitam procurar diretamente uma delegacia. Para isso, os servidores do Procon foram capacitados para identificar situações de violência, prestar um atendimento acolhedor e encaminhar as informações de forma discreta e segura.

Segundo a delegada Michele Alves, diretora do Procon SC e ex-titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, o ambiente do órgão pode transmitir mais segurança às vítimas.

"O Procon SC é um órgão voltado às relações de consumo e, justamente por ser um ambiente neutro, onde o atendimento é individualizado em cabines, muitas mulheres podem se sentir mais seguras para relatar a violência. Decidimos entrar nessa luta, que é de todos e é urgente", afirmou.

A medida chega em um momento preocupante. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. O total representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior e marca o quarto ano consecutivo de crescimento desse tipo de violência.

O levantamento também aponta que foram registradas 4.189 tentativas de feminicídio no país, alta de 5,9% em comparação com 2024. Na prática, uma mulher sofreu tentativa de feminicídio, em média, a cada duas horas.

Entre as vítimas, 65% eram mulheres negras, a maior incidência ocorreu na faixa etária de 25 a 29 anos e quase 80% dos crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

Mesmo com o aumento das medidas protetivas de urgência, que chegaram a cerca de 132 mil concessões em 2025 e crescimento de 17%, a violência continua fazendo vítimas. Pelo menos 70 mulheres assassinadas possuíam medida protetiva vigente.

O cenário reforça a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar os canais de acolhimento e proteção às mulheres. Com a nova atuação, o Procon SC passa a integrar essa rede de apoio, oferecendo mais uma porta de entrada para que vítimas possam denunciar a violência e buscar ajuda.

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