
Imagem: Ricardo Wolffenbüttel
A contagem regressiva para o fim da safra da tainha já começou em Santa Catarina. A pesca artesanal na modalidade de arrasto de praia segue autorizada apenas até o dia 31 de julho, e os pescadores aproveitam os últimos dias da temporada para tentar aumentar a produção.
A safra de 2026 foi marcada por momentos de tensão. Durante o período de maior movimento dos cardumes, a atividade chegou a ser suspensa após os pescadores atingirem cerca de 90% da cota inicial de 1.300 toneladas estabelecida pelo Governo Federal.
A interrupção provocou manifestações e mobilização das comunidades pesqueiras, que defendiam a continuidade da pesca diante da grande presença de tainhas no litoral catarinense.
Após negociações, o Ministério da Pesca e Aquicultura autorizou uma cota complementar de 430 toneladas para a pesca artesanal em Santa Catarina, permitindo a retomada das atividades.
Segundo os dados mais recentes do ministério, os pescadores do litoral Sul já capturaram 155 das 200 toneladas liberadas na cota extra, o equivalente a 78% do limite. No litoral Norte, foram pescadas 154 das 230 toneladas autorizadas, alcançando cerca de 67% da cota complementar.
Com a diminuição da chegada dos cardumes, principalmente na região da Grande Florianópolis, diversos ranchos de pesca já encerraram suas atividades. Mesmo assim, muitos pescadores seguem no mar na expectativa de aproveitar os últimos dias da temporada.
Enquanto a safra de 2026 se aproxima do fim, representantes da categoria já iniciam as discussões sobre as regras e cotas da temporada de 2027. O objetivo é evitar novos impasses e garantir mais previsibilidade para quem depende da pesca artesanal.
Mais do que uma atividade econômica, a pesca da tainha é considerada uma das maiores tradições do litoral catarinense. Herdada dos colonizadores açorianos, ela movimenta a economia, fortalece o turismo e preserva a cultura das comunidades pesqueiras do estado.