O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, em Florianópolis. A medida foi protocolada na segunda-feira (13) na 1ª Vara da Fazenda Pública e tem relação com a atuação do ex-gestor no caso do cão Orelha, registrado no início de 2026.
A ação inclui pedido de indenização por dano moral coletivo. O caso tramita sob sigilo, e, por isso, o MPSC não divulgou detalhes sobre os fundamentos do processo. A existência da ação foi tornada pública na terça-feira (14).

Segundo o Ministério Público, a iniciativa decorre de apurações iniciadas anteriormente. Em março, o órgão instaurou um inquérito para investigar a conduta de Ulisses Gabriel no episódio. Antes disso, um procedimento preparatório já havia sido aberto para analisar possíveis crimes de abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
Em nota, Ulisses Gabriel afirmou que ainda não foi formalmente notificado sobre a ação e que irá se manifestar após ter acesso integral aos autos. “Reafirmo meu compromisso com a legalidade, com a transparência e com o estrito cumprimento da lei, princípios que sempre nortearam minha atuação na vida pública”, declarou.
O caso que originou a investigação envolve o cão Orelha, encontrado gravemente ferido no dia 5 de janeiro, na Praia Brava. O animal foi socorrido, mas não resistiu às lesões. De acordo com relatos, ele apresentava ferimentos severos, incluindo traumatismo na cabeça e sinais de desidratação.
As investigações mobilizaram a Polícia Civil e ouviram 24 testemunhas. Ao longo do processo, oito adolescentes foram investigados. Em fevereiro, a corporação solicitou a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do animal, além de representar contra outros envolvidos em relação a um segundo caso, envolvendo o cão Caramelo.
Desde que o episódio ganhou repercussão, Ulisses Gabriel utilizou redes sociais para comentar o caso. Levantamento aponta que, entre janeiro e fevereiro, parte significativa das publicações do ex-delegado mencionou direta ou indiretamente o tema.
A ação civil pública segue em tramitação e será analisada pelo Judiciário, que deverá avaliar os elementos apresentados pelo Ministério Público e as manifestações da defesa.