
O preço do diesel disparou em Santa Catarina e já acumula alta de até 23% nas últimas semanas, colocando o estado com o combustível mais caro entre as regiões Sul e Sudeste do país.
O aumento está diretamente ligado à valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, o que elevou os custos de importação e impactou toda a cadeia de distribuição. Como reflexo, o repasse ao consumidor foi rápido e significativo.
Levantamentos indicam que o litro do diesel, que girava em torno de R$ 6, já ultrapassa os R$ 7 em diversas regiões catarinenses. Em algumas cidades, o valor médio passa de R$ 7,30, podendo variar ainda mais dependendo do posto.
Apesar de não ser uniforme, a alta atinge todo o estado, com diferenças relacionadas à logística, distribuição e concorrência local.
O impacto vai além das bombas. Considerado um dos combustíveis mais estratégicos da economia, o diesel abastece caminhões, ônibus e grande parte do transporte de mercadorias. Com o frete mais caro, o aumento acaba refletindo diretamente no custo de vida da população, pressionando preços de alimentos, produtos industrializados e serviços.
Diante do cenário, órgãos de defesa do consumidor intensificaram a fiscalização em postos de combustíveis. Em Santa Catarina, operações foram realizadas para verificar possíveis irregularidades na formação de preços. Em algumas análises, foram identificadas inconsistências entre o valor de compra e o preço repassado ao consumidor, o que pode indicar práticas abusivas.
Apesar da alta, o governo federal afirma que não há risco de desabastecimento. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Vieira, garantiu nesta terça-feira (14) que o país seguirá com oferta suficiente de diesel nos próximos meses.
Segundo ele, medidas já foram adotadas para mitigar os impactos da alta internacional do petróleo, e o Brasil trabalha para reduzir a dependência externa. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país ainda é importado, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
De acordo com o ministro, o planejamento para ampliar a produção nacional já existia, mas ganhou urgência com a escalada dos conflitos internacionais, que seguem pressionando os preços globais. O objetivo do governo é avançar rumo à autossuficiência na produção do combustível.
Mesmo com as medidas, o cenário ainda é considerado instável. Especialistas apontam que, enquanto o mercado internacional permanecer pressionado, o diesel deve continuar em patamares elevados, mantendo o alerta para consumidores e para a economia.