
A inflação oficial do país voltou a acelerar em março e superou as expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% no período, acima da projeção de 0,77% de analistas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado já reflete os impactos do cenário internacional, especialmente a escalada do conflito no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz contribuiu para a elevação dos preços do petróleo, pressionando os combustíveis em escala global e influenciando diretamente o custo de vida no Brasil.
No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados até fevereiro. O índice se aproxima do teto da meta de inflação, estabelecida em 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, até 4,5%.
Entre os principais grupos responsáveis pela alta, Transportes e Alimentação concentraram cerca de 76% do avanço do índice no mês. O grupo Transportes subiu 1,64%, com destaque para a gasolina, que teve aumento de 4,59%. Também houve elevação nos preços das passagens aéreas (6,08%) e do diesel (13,90%), embora com menor impacto no índice geral.
Já o grupo Alimentação e bebidas avançou 1,56%, puxado principalmente pela alta do leite longa vida (11,74%) e do tomate (20,31%), itens que têm peso significativo no consumo das famílias.
Por outro lado, a inflação de serviços apresentou desaceleração, passando de 1,51% em fevereiro para 0,53% em março, sinalizando menor pressão em setores ligados ao consumo interno.
Outro indicador relevante, o índice de difusão — que mede o percentual de produtos e serviços com aumento de preços — subiu para 67% em março, frente a 61% no mês anterior, indicando um espalhamento maior da inflação na economia.
Diante desse cenário, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a alta do diesel, incluindo subsídios e redução de tributos, na tentativa de amenizar os impactos sobre os preços e o transporte.