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Cirurgia de R$ 29 mil por R$ 600 mil expõe fraude milionária na saúde em SC

Médicos, empresários e advogados são investigados por manipular pedidos judiciais e inflar custos

Por Redação C
09/04/2026 11:58:38

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Dose Extra para investigar um esquema de fraudes e superfaturamento em cirurgias custeadas pelo SC Saúde, plano de saúde dos servidores públicos estaduais. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, além de ações em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.

As investigações apontam que médicos, empresários e advogados — sem vínculo com o plano — utilizavam negativas administrativas para judicializar pedidos de cirurgia. Na sequência, eram apresentados à Justiça orçamentos de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) com valores muito acima dos praticados no mercado.

Um dos casos chamou a atenção: uma cirurgia inicialmente orçada em cerca de R$ 29 mil acabou sendo custeada por mais de R$ 600 mil, valor aproximadamente 20 vezes maior. Segundo a polícia, a análise de 33 procedimentos já indica um prejuízo estimado em R$ 6 milhões, podendo aumentar com o avanço das investigações.

A apuração começou após auditoria interna do SC Saúde identificar irregularidades, especialmente em cirurgias de coluna realizadas por via endoscópica. De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, médicos indicavam empresas fornecedoras que aparentavam ser distintas, mas pertenciam ao mesmo grupo econômico, simulando concorrência para justificar os valores elevados.

Apesar da gravidade do esquema, a polícia informou que, até o momento, não há indícios de participação de servidores públicos.

Os mandados foram concentrados principalmente em Florianópolis, além de ações em Palhoça e Joinville. Também houve cumprimento de ordens judiciais em Belo Horizonte, Uberlândia e Campos dos Goytacazes.

A Justiça autorizou ainda a apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação, além da indisponibilidade de bens dos investigados em até R$ 10 milhões. Cinco empresas também foram proibidas de firmar contratos com o Estado.

Os envolvidos poderão responder por organização criminosa e estelionato majorado.

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