A Prefeitura de Itapema abriu credenciamento para construtoras interessadas em construir 1,1 mil apartamentos populares no município, que possui o segundo metro quadrado mais caro do Brasil. A estratégia prevê a doação de terrenos públicos para viabilizar quatro condomínios financiados pelo programa Minha Casa Minha Vida.
A iniciativa ocorre em meio à valorização imobiliária da cidade, marcada pelo crescimento do mercado de alto padrão e pelo aumento no preço médio de venda e aluguel de imóveis. Em janeiro de 2026, Itapema registrava valor médio de R$ 14.843 por metro quadrado, ficando atrás apenas de Balneário Camboriú. Segundo dados da administração municipal, o aluguel médio em áreas afastadas do Centro está em torno de R$ 2,5 mil mensais.

Pelo modelo proposto, os apartamentos não serão gratuitos. As unidades terão valores estimados entre R$ 210 mil e R$ 350 mil, com financiamento pelo Minha Casa Minha Vida. Como contrapartida à doação das áreas, as construtoras deverão conceder desconto aos compradores equivalente ao valor do terreno recebido.
Os terrenos definidos são: na Rua 802, no bairro Casa Branca, com previsão de 400 apartamentos; na Rua 708, também no Casa Branca, para 320 unidades; na Rua 406H, no bairro Sertão do Trombudo, para 240 unidades; e na Rua 430/428, no bairro Morretes, para 160 apartamentos. As torres poderão ter até 12 pavimentos, com limite de 12 unidades por andar.
O prazo máximo para execução das obras será de até 36 meses após a assinatura do contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal. Pelo menos 30% das unidades serão destinadas à Faixa 2 do programa, voltada a famílias com renda entre R$ 2.640 e R$ 4.400, e até 70% à Faixa 3, para renda entre R$ 4.400 e R$ 8.000.
As construtoras interessadas têm até 8 de abril de 2026 para enviar a documentação. A prefeitura informou que ainda não há inscrições abertas para famílias interessadas. O cadastro habitacional será lançado após a definição das empresas responsáveis pelas obras.
De acordo com o município, a iniciativa busca ampliar o acesso à moradia e reduzir os impactos do alto custo imobiliário sobre trabalhadores que enfrentam dificuldades para residir na cidade.