A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, poderá avançar para uma eventual exumação do corpo do animal. A possibilidade foi confirmada no contexto da apuração conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina, que concluiu o inquérito nesta terça-feira (8) e solicitou a internação de um adolescente apontado como responsável pelo caso.
Segundo a Polícia Civil, inicialmente quatro adolescentes eram considerados suspeitos, mas apenas um teve pedido de internação formalizado. Os outros três foram descartados após a análise de localização no horário em que, segundo a investigação, ocorreu a agressão. Ao todo, cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança foram examinadas, além da oitiva de 24 testemunhas.

O laudo pericial indireto, elaborado a partir do relatório e do depoimento do médico veterinário que atendeu o animal, aponta que a causa da morte foi um golpe na cabeça com instrumento contundente. A perícia direta no corpo do cão não foi solicitada até o momento. De acordo com a delegada da Delegacia de Proteção Animal da Capital, a medida não foi considerada necessária na fase inicial, mas não está descartada, dependendo da avaliação de outros órgãos.
Ao analisar o material, o Ministério Público de Santa Catarina identificou lacunas no boletim de ocorrência e concluiu pela necessidade de maior precisão na reconstrução dos fatos. O órgão deve requerer diligências complementares nos próximos dias, sem prazo definido para manifestação final. Entre as possibilidades, está a solicitação de exumação do corpo do animal, caso seja considerada essencial para o esclarecimento dos fatos.
O promotor de Justiça Sandro Souza informou que inconsistências ainda precisam ser supridas para uma conclusão mais precisa sobre o ocorrido. A investigação envolvendo adolescentes tramita em sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que proíbe a divulgação de qualquer informação que permita a identificação dos suspeitos.