Após quase um mês de investigação, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos cometidos contra o cão Caramelo, episódios que geraram forte comoção social em Florianópolis. No caso mais grave, a corporação solicitou à Justiça a internação de um adolescente apontado como autor da agressão que resultou na morte de Orelha.
O ataque ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, na Praia Brava, no Norte da Ilha. Exames periciais indicaram que o animal sofreu um golpe intenso na região da cabeça, possivelmente causado por chute ou objeto rígido. Mesmo após ser socorrido por moradores e encaminhado a uma clínica veterinária, Orelha não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.

Segundo a Polícia Civil, a identificação do responsável exigiu uma investigação minuciosa. Foram analisadas mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, colhidos depoimentos de cerca de 20 testemunhas e realizados cruzamentos de dados de localização. Roupas e outros elementos materiais também foram apreendidos para a reconstrução da dinâmica do crime. Durante a apuração, a polícia constatou contradições no depoimento do adolescente investigado, que negava ter deixado um condomínio no horário do ataque, versão posteriormente desmentida por imagens.
A investigação seguiu os procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e só pôde ser finalizada após o retorno do jovem ao Brasil, no fim de janeiro. Com a conclusão do inquérito, o pedido de internação foi encaminhado ao Poder Judiciário, sob a justificativa da gravidade dos fatos.
No caso envolvendo o cão Caramelo, a Polícia Civil responsabilizou quatro adolescentes por maus-tratos. Além disso, três adultos foram indiciados por coação de testemunhas durante o curso das investigações. Todos os elementos reunidos foram encaminhados ao Ministério Público, que agora avaliará as medidas judiciais cabíveis.