Uma ocorrência registrada na madrugada de 15 de dezembro de 2025, na Avenida Normando Tedesco, na Barra Sul, em Balneário Camboriú, passou a ser tratada oficialmente como crime pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A 2ª Promotoria de Justiça da comarca apresentou denúncia contra uma motorista de 58 anos, apontada como responsável pelo acidente que resultou na morte da empresária Aline Cristina Dalmolin, de 41 anos.
Segundo a denúncia, a condutora dirigia um veículo Porsche sob forte influência de álcool, com índice de 0,97 miligrama por litro de ar alveolar, valor muito acima do permitido por lei. Ainda conforme o Ministério Público, mesmo embriagada, ela trafegava em velocidade incompatível com a via urbana quando passou por uma faixa elevada, perdeu o controle do automóvel, capotou e colidiu contra postes e um muro, percorrendo aproximadamente 73 metros até a parada final.

Aline Cristina Dalmolin sofreu ferimentos gravíssimos e morreu no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, em decorrência de politraumatismo. Laudos periciais anexados ao inquérito descartaram falha mecânica no veículo e atribuíram a causa do acidente ao desrespeito às normas de trânsito aliado ao consumo de bebida alcoólica.
Após a colisão, de acordo com a apuração, a motorista deixou o local do acidente com o objetivo de fugir da responsabilidade penal e civil. Ela foi localizada posteriormente escondida em uma área de mangue, nas proximidades do Rio Camboriú.
Na ação penal, o Ministério Público imputou à acusada os crimes de embriaguez ao volante, homicídio doloso na modalidade de dolo eventual — quando o agente assume o risco de produzir o resultado — e fuga do local do acidente. O órgão ministerial sustenta que condutas de extrema imprudência no trânsito, especialmente associadas ao álcool, não podem ser tratadas como fatalidades.
“Ao dirigir embriagada e em velocidade incompatível com a via, a denunciada assumiu o risco de provocar um resultado fatal. Não se trata de um acidente, mas de uma escolha que colocou pessoas em perigo e ceifou a vida da vítima”, afirmou a promotora de Justiça Roberta Trentini Machado Gonçalves, responsável pela denúncia.
O MPSC requereu que o caso seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e solicitou a fixação de valor mínimo de R$ 100 mil a título de indenização à família da vítima.
Com mais de 20 anos de atuação profissional, Aline Cristina Dalmolin era empresária, formada em administração e marketing, com bacharelado pela LCC University. Nas redes sociais, reunia mais de cinco mil seguidores, onde compartilhava conteúdos sobre liderança, carreira e treinamentos. Em Balneário Camboriú, era responsável por um complexo de lazer voltado ao esporte, com quadras, praças e espaços para eventos, atuando também como porta-voz do empreendimento em campanhas e conteúdos digitais.
A empresa CELD Esportes, ligada à vítima, divulgou nota lamentando a morte e informou a decretação de luto, com suspensão das atividades por três dias.