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Por que Governador Celso Ramos tem quase 80% das praias impróprias para banho?

Relatório do IMA aponta que 17 dos 22 pontos analisados estão inadequados.

Por Redação D
27/01/2026 14:00:57

Relatório recente do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) colocou Governador Celso Ramos, novamente centro das discussões sobre qualidade da água das praias. Conhecida nacionalmente pelas praias paradisíacas e pelo forte apelo turístico, a cidade aparece com 77,3% dos pontos monitorados impróprios para banho de mar, segundo o boletim divulgado na sexta-feira (23).

 

 

Dos 22 pontos analisados pelo IMA no município, 17 foram classificados como inadequados para os banhistas, o que representa um avanço rápido da contaminação em apenas uma semana. Entre os dias 12 e 16 de janeiro, eram 10 pontos impróprios; no levantamento mais recente, o número saltou para 17, um crescimento de 70% no total de locais com restrição.

O cenário preocupa especialmente porque atinge praias tradicionais e muito procuradas. A Praia de Palmas, um dos principais cartões-postais da cidade, aparece com todos os sete pontos monitorados impróprios, situação que reforça uma crise já observada em temporadas anteriores. A praia, que já ostentou o selo internacional Bandeira Azul, perdeu a certificação em 2024 justamente por problemas recorrentes de balneabilidade. Também constam como impróprias praias como Ganchos, Ganchos de Fora, Armação da Piedade, Antenas, Baía dos Golfinhos e Fazenda da Armação.

 

 

Em contrapartida, apenas cinco pontos foram considerados próprios para banho, localizados nas praias das Cordas, de Calheiros, do Magalhães e em dois trechos da Praia Grande, o que evidencia um desequilíbrio expressivo na qualidade da água ao longo do litoral do município.

Em nota oficial, a Prefeitura de Governador Celso Ramos atribuiu o agravamento do quadro às chuvas intensas registradas nas últimas semanas, que podem ter arrastado resíduos contaminantes para o mar. O Executivo municipal informou que acompanha a situação em conjunto com órgãos ambientais e reforçou que a balneabilidade das praias é considerada prioridade durante o verão.

 

 

Além das chuvas, outro fator apontado como determinante é a presença de ligações irregulares de esgoto, problema recorrente em cidades litorâneas com crescimento urbano acelerado. Segundo a prefeitura, uma força-tarefa da Operação Verão intensificou as fiscalizações em residências, prédios e no funcionamento das Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs), com o objetivo de identificar falhas operacionais e coibir o despejo irregular de esgoto na rede pluvial.

O IMA reforça que o banho de mar não é recomendado entre 24 e 48 horas após chuvas de maior intensidade, especialmente em áreas próximas a canais, rios e galerias de drenagem. A água da chuva costuma carregar material orgânico e resíduos urbanos, elevando a concentração da bactéria Escherichia coli, utilizada como indicador de contaminação fecal.

 

 

A classificação dos pontos segue critérios do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Um local é considerado próprio quando, em pelo menos 80% das amostras das últimas cinco semanas, o índice não ultrapassa 800 unidades de E. coli por 100 mililitros de água. Já a condição de impróprio é definida quando esse limite é superado em mais de 20% das amostras ou quando a coleta mais recente registra valores acima de 2.000.

Em todo o estado de Santa Catarina, o último boletim apontou 103 pontos impróprios, o equivalente a 39,62% do total monitorado, o pior índice da temporada até agora. Enquanto cidades como Florianópolis mantêm relativa estabilidade, Governador Celso Ramos enfrenta um dos cenários mais críticos do litoral catarinense, justamente no período de maior fluxo de turistas.

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