Política

Deu ruim para o MDB? Jorginho articula vice do Novo e mira união da direita

Governador intensifica conversas com o partido e avalia nome do prefeito de Joinville.

Por Redação D
22/01/2026 09:00:12

As articulações para as eleições de outubro de 2026 avançaram em Santa Catarina com um movimento estratégico do governador Jorginho Mello (PL). Nas últimas horas, ele intensificou as conversas com o partido Novo e apresentou a proposta de ter o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como candidato a vice-governador em sua chapa de reeleição.

A iniciativa tem como foco direto Joinville, maior colégio eleitoral do estado. Reeleito com cerca de 80% dos votos, Adriano Silva é hoje a principal liderança do Novo em Santa Catarina. Uma eventual candidatura própria do prefeito ao governo, mesmo sem favoritismo, poderia fragmentar o eleitorado de direita na região Norte e enfraquecer o desempenho do atual governador.

 

 

Pesquisas recentes do instituto Neokemp indicam que Adriano Silva, caso dispute a cabeça de chapa, teria potencial para atingir dois dígitos nas intenções de voto, cenário que ampliaria a chance de um segundo turno. Ao oferecer a vaga de vice, Jorginho Mello busca neutralizar esse risco, consolidar o apoio do Novo e fortalecer uma aliança ainda no primeiro turno.

O convite foi tratado em reunião realizada nesta quarta-feira, em Joinville, com a presença do prefeito e de lideranças do partido, entre elas o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro. A sigla, que mantinha diálogo avançado com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), passou a avaliar a proposta do governo estadual com cautela. Para Adriano Silva, a vice-governadoria é vista como uma alternativa estratégica, pois evita a renúncia ao cargo atual e o posiciona como nome competitivo para a sucessão estadual em 2030.

A aproximação entre PL e Novo em Santa Catarina também dialoga com o cenário nacional, marcado pela busca de alinhamento ideológico. O PL projeta a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e, no estado, trabalha com a possibilidade de uma chapa fortemente alinhada à direita, incluindo nomes como Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni para o Senado.

O novo desenho, porém, gera tensão com o MDB. O plano inicial do governador previa a vice para os emedebistas e a composição do Senado entre PL e Progressistas. Com a possível entrada do Novo na vice e o aumento de nomes do PL na disputa ao Senado, o MDB pode ficar fora da chapa majoritária governista.

Diante desse cenário, o partido avalia alternativas, como lançar candidatura própria ao governo, abrir diálogo com o PSD ou apoiar Jorginho Mello em troca de espaço político futuro e apoio a projetos estratégicos, como a presidência da Assembleia Legislativa em 2027. O tabuleiro eleitoral de 2026 se reorganiza, e o governador sinaliza que sua prioridade é garantir unidade do campo da direita e hegemonia eleitoral em Joinville, mesmo ao custo de desgastar alianças tradicionais.

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