Um homem de 46 anos, que vive há mais de uma década em situação de rua em Balneário Camboriú, foi internado involuntariamente por 90 dias nesta semana, após avaliação de uma equipe multiprofissional que constatou a necessidade de tratamento intensivo para desintoxicação e acompanhamento psiquiátrico.
A abordagem ocorreu na Avenida Atlântica e foi conduzida por uma equipe formada por enfermeiros, médico, psiquiatra e educador social. Após a avaliação clínica, o homem foi encaminhado à sede da Abordagem Social, no Bairro das Nações, e posteriormente transferido para uma clínica especializada, onde passará pelo período inicial de desintoxicação.

Programa municipal retoma internações após acordo com o Ministério Público e inicia novo ciclo de tratamento e reinserção social. Foto: PMBC/Divulgação
De acordo com a equipe técnica, o paciente possui histórico de uso de drogas, comportamento violento e passagens pela polícia. Ele já havia sido encaminhado anteriormente para comunidades terapêuticas, mas acabou retornando às ruas, o que motivou nova análise do quadro clínico e a indicação da internação involuntária.
A medida integra o Programa Resgate a Vida BC, criado em 2025, que tem como objetivo oferecer acolhimento, tratamento e reinserção social a pessoas em situação de rua. No ano passado, a iniciativa realizou quatro internações involuntárias, sendo três homens e uma mulher.
O serviço havia sido suspenso no município após ação judicial que apurou suspeitas de tortura e maus-tratos em abordagens realizadas em gestões anteriores. Em 2025, a nova administração retomou o diálogo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o que resultou em um acordo formal com regras claras para a reativação do programa, priorizando o respeito à legislação, à dignidade e à integridade das pessoas atendidas.
Em novembro de 2025, o município contratou uma empresa para executar o serviço dentro dos novos parâmetros definidos no acordo. A Prefeitura informa que as internações involuntárias são indicadas apenas em casos específicos, mediante avaliação técnica, e fazem parte de uma política pública voltada à proteção da saúde e à reconstrução de vínculos sociais.