Um crescimento acelerado da frota e a ausência de obras estruturais colocaram Tijucas em um ponto crítico de mobilidade urbana. Com mais de 46 mil veículos em circulação e tráfego diário de quatro municípios convergindo para a SC-410, o centro da cidade passou a operar no limite da capacidade, especialmente nos horários de pico, criando filas recorrentes, travamentos e risco de colapso viário.

Com mais de 46 mil veículos circulando e tráfego regional passando pelo centro, gargalos se agravam e projetos estruturais seguem sem sair do papel. Fotos: Arquivo
O município possui atualmente 46.025 veículos registrados para uma população estimada em 58.695 habitantes, segundo dados do Detran-SC e do IBGE. A frota é formada majoritariamente por automóveis (21.308), motocicletas (7.665), motonetas (4.331), caminhonetes (3.205) e caminhões (1.559), além de ônibus, micro-ônibus, tratores e reboques. O volume elevado pressiona diretamente a malha urbana, estacionamentos e pontos de acesso à BR-101.

Apesar de medidas paliativas adotadas nos últimos anos, como alterações pontuais de sentido em vias e ajustes de circulação, nenhuma solução definitiva foi implementada. Em 2025 chegou a ser aventada a reabertura da antiga saída para a BR-101 próxima à ponte, porém o projeto não avançou por depender de acordos com a concessionária da rodovia e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A discussão sobre um contorno viário que retire o tráfego pesado do centro de Tijucas não é nova. Ela começou em 2019, quando foram anunciados entendimentos para a construção de um elevado no km 162 da BR-101, próximo ao Rio Santa Luzia. A proposta previa duas rotatórias nas marginais norte e sul e serviria como ponto de partida para o chamado Contorno Norte, ligando a BR-101 à SC-410 por uma via paralela. A obra, no entanto, não saiu do papel.

Em 2022 o tema voltou à pauta e foi retomado novamente em 2025, já na atual gestão municipal. Reuniões e estudos chegaram a projetar a revitalização da área da ponte sobre o Rio Tijucas, melhorias no acesso ao viaduto e a execução do Contorno Norte, considerado estratégico para retirar o tráfego regional do centro e melhorar a qualidade de vida dos moradores. Até o momento, nenhuma das propostas avançou para execução.

Enquanto isso, gargalos se intensificam em pontos críticos como o acesso ao bairro Praça sob a ponte da BR-101, em frente à rodoviária, na região do anfiteatro e no túnel da Portobello, além de outras vias centrais que concentram o fluxo diário de veículos.
O cenário expõe a urgência de soluções estruturais. Sem a implantação do contorno viário e de obras de redistribuição do fluxo regional, Tijucas tende a enfrentar um agravamento progressivo do congestionamento urbano, impactando diretamente a mobilidade, a economia local e a rotina da população.