A Campanha da Fraternidade 2025 foi o tema da sessão especial realizada na noite desta segunda-feira (10), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, por proposição do deputado Padre Pedro Baldissera (PT). A campanha desenvolvida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem como mote "Fraternidade e Ecologia Integral".

FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL
Durante a solenidade, realizada no Plenário Deputado Osni Régis, foram homenageadas pessoas, movimentos sociais e entidades envolvidas com a promoção da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável. Os participantes destacaram a necessidade a adoção de medidas urgentes para reverter o cenário preocupante causado pelas mudanças climáticas em todo o planeta.
"O tema deste ano remete diretamente à defesa da vida", afirmou Padre Pedro. "Vivemos um momento de urgência climática e ambiental, e a campanha deste ano nos chama à conversão ecológica. Ou agimos agora para proteger a nossa casa comum ou enfrentaremos um colapso planetário."
O deputado destacou que a ecologia integral vai além do cuidado com a natureza e envolve também as questões socioeconômicas. "A crise ambiental não pode ser dissociada das crises social e econômica e chama a atenção para a necessidade de uma abordagem integrada que leve em consideração a dignidade humana e a preservação do meio ambiente."
Representando a Arquidiocese de Florianópolis, o bispo dom Onécimo Alberton afirmou que a campanha deste ano reforçou o compromisso com a ecologia integral, presente na encíclica Laudato Si', escrita pelo papa Francisco em 2015.
"O papa nos ensina que tudo está integrado, a degradação ambiental e as injustiças sociais fazem parte de um único problema. Não se pode falar de cuidado com a natureza sem falar do cuidado com as pessoas, especialmente os mais pobres e vulneráveis, que são os primeiros a sofrer com os impactos da destruição ambiental", afirmou o bispo.
Dom Onécimo acrescentou que, com a campanha de 2025, "a Igreja Católica no Brasil nos convida a uma conversão ecológica, com fé e compromisso que se traduzem e devem se traduzir em ações concretas de proteção à criação, responsabilidade essa que recebemos desde o início quando fomos criados por Deus."
Alertas
A procuradora regional da República Analúcia de Andrade Hartmann discursou durante a sessão em nome dos homenageados. Ela reforçou a necessidade da adoção de medidas que mitiguem as mudanças climáticas, diante do agravamento da situação. "Está faltando fraternidade nesse mundo tão conturbado, que gasta trilhões com a guerra e não quer gastar nenhuma fração disso para mitigar as mudanças climáticas", disse.
O deputado Marquito (Psol), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alesc, também participou da sessão especial. Ele ressaltou a importância do reconhecimento a pessoas e entidades que realizam trabalhos em prol da preservação ambiental, muitas das quais abrem mão de suas vidas pessoais em prol da causa.
"A realidade é dura, os cientistas vêm anunciando desde a década de 70 que se não mudarmos esse modelo de concentração de riqueza, o planeta estaria em risco. E já estamos vivendo as consequências desse modelo, quando temos as maiores temperaturas já registradas, a perda da diversidade, inundações", acrescentou o parlamentar.
O professor Telmo Pedro Vieira, revisor do texto base da Campanha da Fraternidade 2025, lembrou que o tema ecologia foi o mais recorrente entre todas a edições realizadas pela CNBB desde a década de 1960. Para este ano, conforme ele, alguns fatores levaram à escolha da temática, entre eles os 10 anos do Laudato Si', o agravamento das mudanças climáticas, a realização da COP-30 no Brasil, o Jubileu da Esperança 2025, entre outros. Ele defendeu o maior envolvimento da Assembleia Legislativa na causa.
A sessão especial também contou com a apresentação do Coral Cantos da Ilha que, sob a regência do maestro Miguel Philippi, interpretou o Hino da Campanha da Fraternidade 2025.
Homenageados:
Marcelo Espinoza
Agência AL