A major da Polícia Militar de Santa Catarina, Lumen Lohn Freitas, enfrenta recusas repetidas em suas solicitações de promoção e corre o risco de demissão após assumir publicamente sua identidade de gênero. Após se descobrir transgênero e solicitar a adoção do nome social na corporação, a major teve sua promoção para tenente-coronel recusada sete vezes.
Atualmente, Lumen está sob ameaça de demissão em um processo de exoneração que corre em sigilo desde que ela entrou com o pedido de mudança de nome. O processo foi iniciado em abril por determinação do governador Jorginho Mello e é analisado por um colegiado no Conselho de Justificação.
O processo tem como objetivo "avaliar a capacidade moral e profissional do referido oficial e a convivência de sua permanência nas fileiras da Polícia Militar". A PM de Santa Catarina alega que não pode fornecer detalhes sobre o conteúdo do procedimento, mas menciona "relatos de condutas profissionais consideradas inadequadas" que serão apuradas no decorrer do processo.
A major Lumen, que faz parte da corporação desde 1998, enfrentou também recusas em promoções, apesar de ser a primeira colocada no sistema de pontuação. Ela atribui as recusas ao fato de ter se descoberto como pessoa transgênero. Lumen passou por tratamento médico de um quadro de bipolaridade diagnosticado e, após o afastamento, se descobriu transgênero em 2021, solicitando a mudança de nome social na PM.
A major afirma que os critérios para progressão na carreira não foram aplicados de maneira justa em seu caso, e seus chefes diretos manifestaram apoio à sua promoção.