Juarez Machado construiu uma carreira internacional de mais de seis décadas, com obras reconhecidas no Brasil e no exterior. Foto: Reprodução.
Santa Catarina se despede nesta quinta-feira (8) de um de seus maiores representantes culturais. O artista plástico Juarez Machado, natural de Joinville e reconhecido internacionalmente por suas pinturas, esculturas, desenhos e performances, morreu na terça-feira (6), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro.
O artista estava internado desde o dia 29 de setembro para tratamento de uma pneumonia e, segundo informações divulgadas pela imprensa, sofreu uma parada cardíaca.
A despedida acontece no Teatro Juarez Machado, localizado no Centreventos Cau Hansen, em Joinville. O velório está programado para ocorrer das 10h às 17h, com acesso aberto à população. Após a cerimônia, o corpo será encaminhado ao Crematório Catarinense, onde haverá uma despedida reservada aos familiares.
Nascido em 16 de março de 1941, Juarez Machado demonstrou desde cedo talento para as artes. Ainda adolescente, começou a trabalhar em uma oficina gráfica e, posteriormente, aprofundou seus conhecimentos artísticos em Curitiba.
Sua trajetória ganhou projeção nacional após a mudança para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu trabalhos em diferentes linguagens artísticas.
Na década de 1970, conquistou o público brasileiro com apresentações no programa Fantástico, da TV Globo. Utilizando a mímica e o desenho, criava performances que combinavam humor, criatividade e expressão corporal, tornando-se conhecido por uma geração de telespectadores.
A carreira internacional se consolidou especialmente na França, país onde manteve um ateliê e desenvolveu parte significativa de sua produção artística.
Suas obras, frequentemente marcadas por personagens elegantes, movimento, cores vibrantes e atmosferas cinematográficas, conquistaram admiradores e colecionadores em diferentes países.
Um dos aspectos mais curiosos de sua trajetória é a ligação com o cinema internacional.
Obras do artista catarinense aparecem no filme francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, lançado em 2001 e reconhecido mundialmente por sua estética visual.
A presença de suas pinturas na produção cinematográfica reforçou a dimensão internacional de um artista que nunca deixou de manter vínculos com suas origens catarinenses.
A morte de Juarez Machado motivou manifestações de pesar de autoridades, instituições culturais e admiradores de sua obra.
A Prefeitura de Joinville decretou três dias de luto oficial em reconhecimento à contribuição do artista para a cultura e para a projeção internacional do município.
Na cidade natal, Juarez deixou um importante patrimônio artístico. Entre os destaques está o painel O Grande Circo, instalado no Centreventos Cau Hansen, com aproximadamente 90 metros quadrados e composto por 963 peças de cerâmica.
Outro espaço fundamental para a preservação de sua memória é o Instituto Internacional Juarez Machado, inaugurado em 2014, que reúne obras, exposições e atividades culturais.
O local escolhido para a última homenagem possui um significado especial: o artista recebe a despedida pública em um teatro que leva seu próprio nome, no complexo cultural onde também está instalada uma de suas obras mais emblemáticas.
A cerimônia representa não apenas o adeus a um artista reconhecido internacionalmente, mas também o reconhecimento de uma cidade a um de seus filhos mais ilustres.
Juarez Machado deixa três filhos e um legado construído ao longo de mais de seis décadas de dedicação à arte.
Sua morte encerra uma trajetória pessoal, mas não apaga a contribuição de um catarinense que transformou talento, criatividade e identidade cultural em reconhecimento mundial.
A arte de Juarez Machado continuará presente nas galerias, nos espaços culturais, nas coleções e na memória de quem acompanhou seu trabalho.
Redação Jornal TopElegance | Com informações da Prefeitura de Joinville e da imprensa catarinense.